Maslow no Âmbito: a empresa disruptiva que fatura milhões de dólares
Âmbito Financiero destaca como Matias Botbol, 20 anos depois de lançar Taringa, criou Maslow, empresa que fatura milhões de dólares com benefícios para colaboradores.

Nota publicada no Ámbito Financiero em 23 de novembro de 2024, por Jorge Velázquez.
Matías Botbol, 20 anos depois de lançar o Taringa, criou outra empresa disruptiva que fatura milhões de dólares
Quando Matías Botbol assumiu o Taringa em 2004 junto com seu irmão Hernán e seu amigo Alberto Nakayama, não existia a nuvem nem as redes sociais como conhecemos hoje. Tampouco a Inteligência Artificial, embora o lema sob o qual o Taringa foi desenvolvido tenha sido "inteligência compartilhada".
Essa plataforma se tornou em pouco tempo a primeira rede social da Argentina com influência em todo o mundo de língua espanhola. No seu melhor momento chegou a ter 75 milhões de usuários únicos mensais e uma avaliação de US$ 20 milhões.
Finalmente, depois de passar por uma etapa de apogeu, por diferentes razões chegou o declínio. Em 2019 Botbol e seus sócios venderam por um valor nunca revelado a empresa pela qual haviam pagado 5.000 dólares quinze anos antes. O último dono foi a companhia IOVLabs, dedicada à tecnologia blockchain. Mas a aposta não rendeu os frutos esperados e o Taringa fechou definitivamente em março de 2024.
Matías Botbol vive atualmente na cidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. Esteve esta semana em Buenos Aires, onde apresentou o novo empreendimento no qual está trabalhando com outros dois sócios. Trata-se da Maslow, uma empresa fundada em 2022 por Botbol com Diego Boryszanski e Ricardo Migoya.
É uma plataforma que oferece serviços de benefícios e recompensas personalizadas para outras companhias que precisam fidelizar seus colaboradores para evitar a fuga de talentos, um problema que seus próprios fundadores haviam sofrido em algum momento de sua trajetória empresarial.
Números atuais da Maslow
A companhia tem mais de 80 clientes, entre eles Unilever, Manpower, L'Oreal, Havas, LDC, Nowports e Tiktok. Está presente em 25 países como México, Argentina, Colômbia, Paraguai, Bolívia, Chile, Estados Unidos, Espanha e Alemanha, entre outros.
Este ano fechará com um faturamento projetado de 6 milhões de dólares. E estimam que chegará a 18 milhões de dólares em 2025. Contam com uma equipe de 20 pessoas, que trabalham de forma totalmente remota.
Entrevista com Matías Botbol
Jornalista: O que une sua experiência com o Taringa com a atualidade na sua nova empresa, Maslow?
Matías Botbol: Desde criança gostei de computadores. Fui um nerd antissocial na escola. Um dos meus primeiros trabalhos foi na UOL Sinectis onde desenhei o webmail, algo que há 25 anos foi uma revolução. Depois fundei uma empresa de hosting chamada Wiroos. Até que em 2004 compramos e desenvolvemos o Taringa com meu irmão Hernán e meu amigo Alberto Nakayama.
Além do tipo de negócio, o que sempre me apaixonou foi usar a tecnologia para gerar uma mudança nas indústrias, nas formas de consumo ou no status quo que haja em cada momento.
Essa possibilidade foi o que concentrou minha atenção na Internet. O Taringa foi isso mesmo, o fato de poder fazer com que as pessoas pudessem falar com outras de forma direta, sem os intermediários que costumam ser os meios de comunicação. Isso é algo que agora parece normal mas naquela época foi algo revolucionário. Fomos os primeiros a propor algo assim a partir do Taringa, não havia nada parecido.
E agora o que vejo com minha nova empresa, Maslow, é essa mesma possibilidade de fazer algo disruptivo. Geralmente, quando se gera uma disrupção ela acontece nas coisas que parecem estar totalmente estabelecidas e que não há mudanças possíveis.
P: Qual é a disrupção possível que você está vendo neste segmento de recursos humanos onde a Maslow opera?
MB: Agora a possibilidade de ser disruptivo tem a ver com a personalização do salário, a forma como as pessoas são recompensadas por seu trabalho. Uma grande parte dessa recompensa é o salário, mas há muito para fazer ainda.
Com a Maslow estamos focados na proposta de benefícios e recompensas para que as empresas beneficiem seus colaboradores. Mas no futuro, em um prazo de cinco anos, a ideia é poder entrar também na parte salarial. E começar a montar modelos onde haja uma flexibilidade em como gerenciar o salário. Não significa que ninguém saiba quanto vai ganhar, mas sim como quer ir ganhando com base no seu próprio interesse ou suas necessidades pessoais. E que a empresa tenha ferramentas para poder fazê-lo.
Sobre o Taringa e as redes sociais
P: Em que momento do desenvolvimento do Taringa você percebeu que não ia conseguir competir com o que estava por vir?
MB: Houve um momento em que vimos claramente. O que nos aconteceu é que ao não ter os recursos econômicos que as empresas grandes têm, tudo ficava mais difícil na hora de tomar uma decisão. É como se você tivesse um único tiro e as outras empresas usam uma metralhadora, mesmo que acertem uma única bala e as demais se percam, não tem problema.
Uma coisa que nos afetou em comparação com as novas redes sociais foi que nosso modelo de monetização estava muito dependente de terceiros, como agências de publicidade que fazem veiculação de mídia ou programas como Google Ads. E quando você joga com essas regras que não são suas mas de outros, começam os problemas.
Por outro lado, as outras empresas aplicaram modelos de publicidade nativos, próprios, onde se anuncia dentro da mesma plataforma e não se usa um terceiro. E isso é algo que nós não pudemos fazer porque não tínhamos orçamento suficiente e isso acabou nos afetando.
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