Maslow no Forbes Future of Work Summit: competitividade sustentável sem perder o foco humano
Diego Boryszanski participou do painel do Forbes Future of Work Summit ao lado de líderes da Nestlé, Carrefour e Randstad, destacando a importância de entender as necessidades individuais de cada colaborador.

Nota publicada na Forbes Argentina em 27 de março de 2025.
O futuro do trabalho já chegou: como alcançar competitividade sustentável sem perder o foco humano
No âmbito da primeira edição do Forbes Future of Work Summit, referências do mundo corporativo concordaram que a verdadeira transformação no trabalho não passa apenas pela tecnologia, mas por alcançar um equilíbrio que garanta resultados sustentáveis sem descuidar do bem-estar do talento.
Sob o título "Competitividade sustentável: o equilíbrio do futuro do trabalho", o painel reuniu líderes de empresas como Nestlé, Carrefour, Randstad e Maslow, que compartilharam estratégias concretas para alcançar esse equilíbrio.
A conversa girou em torno de uma premissa central: como construir organizações mais eficientes sem abrir mão do propósito, da inclusão nem da experiência das pessoas. "O bem-estar do talento é pensar no futuro do trabalho. Atraí-lo e fidelizá-lo implica ser produtivos e sustentáveis ao mesmo tempo", afirmou Germán Ruiz, diretor de Outsourcing da Randstad Argentina.
María Fernanda Amado, diretora de Recursos Humanos da Nestlé Argentina, Uruguai e Paraguai, abriu o debate destacando o vínculo entre cultura organizacional e resultados: "Estamos convencidos de que se as pessoas têm experiências positivas dentro da empresa, vão dar seu máximo potencial". Segundo explicou, a Nestlé trabalha há três anos com células ágeis, equipes interdisciplinares focadas em resolver desafios concretos.
Para Amado, a transformação digital e a agilidade são inseparáveis. Os processos de automação melhoram a eficiência mas também "a experiência cotidiana do colaborador". O foco está em gerar ferramentas que "liberem tempo para tarefas de maior valor agregado" e acompanhar essa evolução com "programas de reconhecimento, políticas de flexibilidade com accountability, e uma aposta firme pela diversidade e inclusão".
A visão da Maslow
O vínculo entre ferramentas tecnológicas e gestão humana foi também um foco de interesse e análise para Diego Boryszanski, cofundador e co-CEO da Maslow, uma plataforma que personaliza benefícios trabalhistas para grandes empresas. "Poder entender o que cada pessoa precisa para dar sua melhor performance é importante e hoje pode ser alcançado de forma muito simples", afirmou.
Boryszanski enfatizou que a tecnologia deve ser uma aliada para liberar capacidades: "Permite que as pessoas trabalhem de onde quiserem, desde que cumpram com seus objetivos". Consultado sobre como evitar resistências à mudança tecnológica, destacou a importância da comunicação clara: "A certeza de que uma ferramenta não vem para substituir, mas para potencializar o trabalho, é fundamental. As organizações devem transmitir isso desde a liderança".
Carrefour e a escala humana
Ondine Lubel, diretora Executiva de Recursos Humanos no Carrefour Argentina, onde trabalham mais de 17.000 pessoas, explicou: "Buscamos um equilíbrio entre a agilidade e a proximidade com o cliente. E isso mesmo aplicamos com os colaboradores". Destacou que a companhia avançou na automação de processos internos, mas sempre com o objetivo de "dar segurança aos colaboradores e permitir que se concentrem no que realmente agrega valor".
Lubel adiantou que o Carrefour está desenvolvendo uma ferramenta de inteligência artificial interna chamada Carrefour IA, pensada para estar "ao alcance de todos os colaboradores". O propósito é "liberar tempo de tarefas que não agregam valor para dedicá-lo ao mais criativo, o que realmente marca a diferença".
Sustentabilidade como estratégia
Todos os painelistas concordaram que o futuro do trabalho exige incorporar a sustentabilidade como eixo de estratégia. "A sustentabilidade tem que estar integrada à estratégia empresarial e tem que poder ser medida. Que cada um saiba quanto contribui para o propósito da companhia", afirmou Ruiz. Boryszanski acrescentou que sem objetivos e incentivos específicos, "a sustentabilidade fica como um conceito abstrato".
Amado reforçou essa visão: "As pessoas se perguntam se seus valores coincidem com os da organização. Buscam flexibilidade, propósito, autonomia e desenvolvimento".
Como concluiu Ruiz: "Já não se trata de produtividade ou sustentabilidade. É produtividade e sustentabilidade. É a única maneira de construir futuro".